Data Storytelling no marketing político: dados não substituem reputação
por Carlo Manfroi
Há mais de três décadas trabalho com storytelling em marketing político para a construção da imagem de candidatos e autoridades. Tenho a convicção de que essa construção é feita ao longo de uma vida de atuação profissional, social e familiar de um candidato, e não como uma mágica de véspera de eleição.
Existem, porém, estratégias e ferramentas que podem potencializar e destacar a história de um candidato, se bem utilizadas e de maneira coordenada. Ao longo da minha trajetória, tenho aplicado esses recursos em projetos de posicionamento político, construção de narrativas e gestão de imagem pública. Entre essas ferramentas, destaco o data storytelling, recurso decisivo que tenho aplicado em campanhas bem-sucedidas nos mais diversos níveis eleitorais, de vereador a presidente da República.
O que é Data Storytelling no Marketing Político?
Data storytelling é a construção de uma história capaz de impactar as pessoas com base em informações reais e disponíveis. Dentro de uma campanha de marketing eleitoral, essa prática possui nuances que precisam ser compreendidas pelos estrategistas.
Em uma campanha política, dados não servem apenas para medir intenções de voto. Eles ajudam a compreender preocupações, expectativas e prioridades da população. O papel do data storytelling é transformar essas informações em narrativas capazes de gerar identificação, sempre respeitando a realidade dos fatos e a trajetória do candidato.
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Dados sem narrativa são números.
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Narrativas sem dados são opiniões.
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O encontro entre ambos é que produz a verdadeira comunicação estratégica.
O limite dos dados: por que reputação não se inventa
É importante lembrar que dados não substituem reputação. Eles ajudam a identificar temas relevantes para a população e a construir pontes entre o candidato e o eleitorado, mas não têm o poder de criar uma trajetória que não exista. O data storytelling no marketing político potencializa histórias verdadeiras, ele não inventa fatos.
Para que a comunicação funcione, a história contada precisa ter base real e coerência com a trajetória do candidato. Além disso, deve estar em consonância com o espírito da época da cidade, estado ou país e com os desejos da população local.
Importar argumentos que “bombaram” na internet na expectativa de reproduzir o mesmo sucesso em sua campanha eleitoral pode trazer sérios riscos à candidatura. Pode soar falso, por não combinar com o estilo do candidato, e transparecer oportunismo, passando a impressão de que se quer apenas aproveitar a onda do momento para se promover.
Planejamento, hierarquia e o risco do marketing digital eleitoral
Outra questão fundamental ao abordarmos o uso do marketing digital para campanha política tem relação com planejamento e hierarquia. O ambiente digital traz, em si, uma velocidade e ansiedade de produção superiores às plataformas tradicionais. Em uma campanha política, onde o tempo de resposta exige urgência, essa soma é nitroglicerina pura.
Se não houver uma equipe bem dimensionada, com as tarefas estabelecidas e seguindo um planejamento pré-aprovado, a probabilidade de erro é altíssima. E um erro pode custar uma campanha. Na política, ganha quem erra menos.
3 pilares para o êxito em uma campanha eleitoral
Se as armadilhas destacadas acima devem ser evitadas, o que podemos fazer para garantir o sucesso da narrativa de dados em uma campanha?
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Utilize fontes estritamente confiáveis: a fidelidade dos dados é questão de honra para ter uma história bem contada, verdadeira e que impacte o eleitorado. Questione as origens das informações antes de publicá-las. No decorrer de uma campanha, há muitos “amigos” passando informações com a promessa de que aquele argumento será a bala de prata da eleição. Cuidado.
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Duvide de mágicos: eles sempre aparecem. Muitos vêm de longe, trazendo ferramentas “inéditas” que garantem a eleição, mas desconhecem por completo a realidade e a cultura local. Nada contra a mágica em si, mas ela pertence ao circo e à TV, não ao lugar onde se decide o futuro de uma cidade ou país.
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Proteja a sua biografia: cuide bem da sua história política e pessoal, que foi construída com esforço e dedicação. O marketing político deve servir para iluminar essa jornada, não para ofuscá-la com narrativas insustentáveis.
Carlo Manfroi é escritor, publicitário e estrategista em storytelling para pessoas e marcas. Fundador e CEO do Carlo Manfroi Story Studio e da Qualé Digital, é mestre e doutorando com ênfase em data storytelling no PPGEGC / UFSC.